segunda-feira, 10 de julho de 2017

Ao Estado a que Chegamos...mas não é por isso que baixamos os braços...!







Não querendo meter "a foice em seara alheia” permito-me fazer um comentário geral sobre o estado da nação, em particular no que concerne ao desenvolvimento regional e ao acreditar nos recursos endógenos dos territórios de interior eufemisticamente apelidados de baixa densidade.

Nós temos a Fileira dos vinhos como um exemplo paradigmático dessa capacidade e desse potencial. Acreditamos, estudamos e potenciamos os nossos recursos genéticos, designadamente as nossas castas, a capacidade empírica e tecnológica das nossas gentes e empresas e estamos a promover no mundo com uma estratégia de marketing forte e concertada e uma identidade muito própria assente nas nossas castas e na nossa cultura da vinha e do vinho.

Outros setores, como o da fileira dos queijos entre outros deviam seguir este exemplo, mas para isso seria preciso um apoio mais efetivo e uma estratégia concertada, buscando sinergias e procurando deste modo a resolução de muitos dos problemas, pois a dinamização destes setores contribuem para a prevenção dos incêndios nas florestas. Não vamos voltar à conversa das “camas dos animais”, mas os animais são fundamentais para a salvaguarda da floresta. Os animais são os primeiros “sapadores da floresta”.

Uma outra questão tem a ver com a valorização dos recursos da floresta, para que se possam ir retirando dividendos “palpáveis” da floresta ao longo dos anos e aí o setor técnico-científico e da inovação tem um importante papel a desempenhar, onde os Institutos Politécnicos em parceria com os Grandes Centros de investigação devem colaborar ativamente. A proximidade e conhecimento de causa de uns e a capacidade científica e tecnológica de outros são uma parceria estratégica fundamental.

O debate do Estado da Nação não pode fugir aos últimos e trágicos acontecimentos de Pedrógão Grande e que “puseram a nú” algumas das fragilidades que ainda não resolvemos e teremos que mudar muita da nossa mentalidade política para o fazer e eu não ponho as “mãos no fogo” pela atual política de desenvolvimento do interior. Obviamente que temos casos de sucesso na política de interior, mas infelizmente são ainda poucos que “uma árvore não faz a floresta”. 

Eu assisto à análise das candidaturas de projetos e vejo a falta de sensibilidade dos decisores, a falta de massa crítica tecnicamente válida para ocupar cargos políticos neste dito interior que se assumem como meras extensões das estratégias decidida na Capital.

Para decidirmos os rumos dos territórios ditos de interior, precisamos conhecer muito bem esses territórios e as suas gentes. Buscar identidade e diversidade para que os territórios joguem em sinergia. A estratégia tem que partir do cerne, mas para isso temos que eleger quem o conhece na sua essência e não vistos por “drone” como se todos tivessem floresta, rios, paisagens. A diferença está na cultura e nas gentes que os moldaram e que saberão seguramente os melhores caminhos para o seu sucesso. Obviamente que não o fazem sozinhos mas têm que ser os atores principais.

Parece que o interior e as suas gentes são um problema. O Pais ia tão bem embalado com um crescimento já há muito não atingido, muito por força do turismo que tem que ser analisado com o devido cuidado para que não estejamos a acentuar uma dicotomia entre grandes centros e espaço rural. Obviamente que os atores do espaço rural têm que se afirmar, mas as regras têm que ser claras e iguais para todos. 

Fazendo jus ao espaço de gravação, a mensagem é "Alcança quem não Cansa"...ao melhor jeito de Aquilino Ribeiro.

Depois desta ação fui falar com a Manuela de Delícia que deu a dica certa. Temos que ir onde está o turismo tirar partido dos milhões de visitantes e ficarmos com o nosso "quinhão" para trazer para cá e a Delícia pode ser um excelente "Abre olhos" que acredito poderem e quererem ajudar outros que tenham qualidade e o mereçam.

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